História

 

 

 

 

 

 

Era 15 de abril de 2010, em uma fazenda de nome Chocolate no interior do estado de Minas Gerais no Brasil, onde depois de muita ansiedade e longas horas de um difícil trabalho de parto, surgia em uma nova família de cães da raça Bernese dois cachorros que se completavam. A mais velha e primogênita de 10 irmãos era a maior da ninhada, tinha medo de vassouras, e apesar de poucos dias de vida já curtia as músicas de Uberlândia e não cansava de tentar cantar os sambas e sertanejos da região. Além de gulosa e cheirosa, a primogênita admirava a natureza, tentava conversar com as crianças que os visitavam, fazendo amizade fácil com outros animais. Logicamente, como irmã mais velha, sempre fazia de tudo para proteger seus irmãos mais novos, especialmente o caçula por quem ela tinha um carinho muito especial.

Falando em caçula, o mais novo era o menor da ninhada, e diferente dos outros, tinha os cabelos cacheados, totalmente enrolados, igual macarrão quando sai da panela, tinha uma cara inconfundível, mais branca que os outros, como se tivesse recebido uma bolada de neve no meio da testa. Seu diferencial não parava por aí, o som de qualquer coisa que caía no chão fazia com que seu quadril não parasse de se mexer e rebolar. Este caçula era disparado o mais queridinho dos irmãos. Todos percebiam que ele era o mais dengoso e carinhoso com quem chegava perto. Ele amava dormir embaixo das ameixeiras da fazenda, onde fez amizade com os morcegos da região.

Certa vez os dois se juntaram, entraram escondidos na casa e, em total silêncio, ficaram admirando as esculturas e quadros da fazenda, até que veio a vassoura e os expulsou.

Essa primeira fase da vida deles, ainda sem nome, aprendendo a cheirar, amar, dançar e brincar estava chegando ao fim, pois não se passaram muitos dias e chegou um momento muito marcante de suas vidas, todos os irmãos foram pesados em uma imensa balança e receberam nomes que lhes foram dados pelos milhares de blogueiros, amantes e protetores dos animais do mundo todo que acompanharam o nascimento deles pela internet. Nesse dia, os 10 irmãos, ainda filhotes, iriam receber, cada um deles, um nome pelo qual seriam chamados pelo resto de suas vidas. A mais velha e maior da ninhada, a faladeira, protetora de seus irmãos foi a primeira a sair da barriga ensino do outro lado do mundo e do computador um Neozolandes gritou ­ "Kia ora !!!!” , que significa bem vindo , e desta forma o lindo nome de Kia de Chocolate foi escolhido para chamar essa linda filhota, enquanto o mais novo, menorzinho, dançarino, dorminhoco e carinhoso veio depois de todos os outros e sua grande mechas brancas da testa fez o sol refletir nas telas das webcams quando um ingles gritou do outro lado da telinha ­ “Summer !!! ” ,que significa verão, e então Summer de Chocolate foi escolhido para ser o nome deste caçula.

Poucos dias depois, Kia e Summer tiveram de deixar de mamar, pois a mamãe Teka, cada vez mais fraca depois de sofrer muito para dar à luz seus 10 filhotes, lambeu suas crias pela última vez e fechou os olhos para nunca mais acordar. A tristeza e o desespero tomaram conta dos filhotes que uivavam pela mamãe que não mais respondia. O papai Amadeu, engoliu o choro, despediu­se de sua amada com um chamego no pescoço, trouxe os filhotes para junto do peito e os aqueceu. Pegou um bocado de ração que estava em um saco dentro do celeiro, moeu com os dentes e passou a dá­los aos seus filhos, a partir daí eles passaram a comer apenas ração imitando o forte e orgulhoso papai.

Pouco tempo depois quando ainda estavam aprendendo a falar, cantar e dançar, Kia e Summer acordaram e viram que estavam sozinhos com o papai Amadeu, eles acordaram o Papi imediatamente que desesperado começou a latir, cheirar e procurar pelos seus filhotes que, sem serem consultados e sem perceberem, foram enviados aos seus novos lares ao redor do globo. Os 8 irmãos ganharam novas famílias e se espalharam pelo planeta Terra, e assim eles nunca mais se viram.

As brincadeiras juntos, os momentos especiais com a mamãe e com o papai, o cheiro e o sabor do pão de queijo, as músicas, danças, latidos e uivos em conjunto passavam agora a ser apenas uma lembrança do passado, que nem nas melhores das promessas poderão voltar. A infância estava acabando, ela só é vivida uma vez e num piscar de olhos estava sendo deixada para trás junto com o inesquecível sabor das descobertas, da inocência e das novidades. Kia chorava copiosamente, tentando de todos os modos ficar com sua família, pois queria muito proteger seu irmão, afinal como mais velha e mais forte ela assumira o lugar da mamãe e não conseguia imaginar­se sem ele. Será que ela conseguiria superar os traumas de um lar dividido? Afinal ela não tinha culpa do que estava acontecendo, na realidade ela mal sabia o que estava presenciando e o que o futuro agora lhe reservava.

Certo dia, ela e Summer foram passear longe do papai Amadeu quando uma pessoa os pegou no colo, fez um carinho e os embarcou em um carro com um pacote de ração, sem se despedir do pai eles saíram e enquanto ela embarcava em um carro rumo à cidade de Curitiba, no sul do Brasil, Kia olhava pela janela seu irmão caçula, seu companheiro de artes, a quem tanto amava, com uma carinha inocente e com olhar tristonho sendo colocado em um imenso objeto voador, com grandes asas semelhantes às das águias que em poucos segundos simplesmente desaparecera nos céus entre as nuvens e os raios de sol.

Summer, o dengoso e carinhoso, não teve tempo nem de chorar e nem de se despedir, pois também não sabia o que estava lhe acontecendo quando embarcou em um avião rumo à antiga casa de seus avós na cidade de Bern, na Suíça.

Assim termina a história desses dois irmãos que se completavam e se amavam...

Opa! Claro que não! A história de Kia e Summer está apenas começando...